Hoje eu acordei e joguei fora as flores mortas. Abri a janela e deixei entrar o ar quente que cheirava a tédio de um dia nublado. Observei a vida desinteressante de quem caminhava lá embaixo. 

Fito a porta alguns segundos, só pra ver se você passa. Minhas paredes silenciosamente gritam seu nome, um eco de todas as noites em que não havia nada além do seu corpo, do meu corpo, e da gota de suor fazendo cócegas nas minhas costas. 

Troquei os lençóis e joguei água na cara. Os sinais da sua presença estão em toda parte do meu quarto. Nas fotos, nos bilhetes, nas marcas da minha carne. Na minha cabeça inquieta revivendo o que você deixou pra trás.

Contei mais uma vez quantos dias faltam. Ensaiei, planejei, todas as coisas que não faremos. Quando você está perto, eu esqueço todo o resto. Quando você me beija, eu não sei de mais nada.

Hoje eu acordei e exorcizei uns três fantasmas. O da ausência, da saudade, e do tempo que não passa.