Você me arrancou a poesia e os sorrisos

Você me arrancou a poesia e os sorrisos da manhã.
Dos pés entrelaçados eu fugia
pois sua presença forçada era um conta-gotas
pingando veneno no meu café.

Silenciou todas as palavras, complicadíssimas palavras,
que demorei tanto pra aprender. 
As letras das músicas e aquilo que te falei
de tudo o que eu queria ser e não fui.

Me disse “não sinto isso quando estou contigo”
e foi embora sorrindo como uma tarde qualquer.

Você se entregou pra vida, desistindo da nossa
sem pensar na bossa que amar sempre foi.
Se perdeu sem ao menos me procurar,
uma cerveja, um jantar, 
sua mão no meu seio, meu doce receio, 
e te ouvir respirar.

Meu amor, eu morro por dentro
e durmo no relento do que sobrou de nós dois.
Nossas melodias sempre desconexas
são apenas migalhas de tudo que restou.

Não existe mais um só. Apenas os dois.
Solitários.
Sem rumo, sem brigas.
Silêncio.
Sem beijos, sem nada.

Anúncios