A louca.

por daniellecruz

Anos atrás, um amante do passado muito do desavisado me contou que havia lido meus poemas. Chegou a eles não sei como – logo ele que afirmava não se interessar por minha vida, dizem sempre os homens com grandes egos – e havia lido todos. Fez seus cálculos de datas e situações, pensou nos dias bons e nas brigas. Depois veio cautelosamente me afirmar como um médico dando uma péssima notícia a um paciente, uma sentença de morte: “Você sabe que estas coisas nunca aconteceram, certo?”.

Acho – tenho certeza – de que ele pensava – e ainda pensa – que sou louca. Mas não a louca-artista, não essa loucura poética que tem todos os que pensam demais com os sentimentos – sejam eles de amor, de ódio, de luxúria. Ele pensava que eu era esquizofrênica ou tivesse qualquer seríssimo transtorno mental, que acreditava em situações inexistentes e impossíveis, que realmente pensava que aquele amor todo era real.

Sorri. Toquei seu rosto como uma mãe que acaba de ver o filho dizer uma grande besteira, com a expressão calma simplesmente pelo fato de saber mais. Respondi: “Meu querido, se tanto amor fosse real, não gastaria meu tempo com palavras. Se estas cenas fossem verdadeiras, eu não precisaria escrevê-las.”

Então o esqueci.

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