Não era uma probabilidade muito grande que ela conseguisse viver sem ele. Deitou na cama e, observando todas as manchas no teto das quais nunca havia percebido a existência, pensou nas possibilidades da vida pós-amor.

Começou a escrever uma carta mental pra Santa Cher dizendo que não, querida diva, não acreditava em vida após o amor. E então começou a se sentir culpada porque esta música foi escrita para o ex-marido de Cher que morreu, e não deu um pé na bunda da coitada. Mas, também, quem daria um pé na bunda da Cher? Estava bem longe de ser uma diva do pop ou uma diva de qualquer coisa, afinal. Era apenas uma garota acima do peso, infeliz com o próprio corpo e com um buraco enorme em sua vida.

Esse buraco enorme era o motivo pelo qual ele a abandonara. Não suportou tanta melancolia em uma mulher e levou as malas, os quadros e até mesmo o cachorro para a casa de uma nova mulher que, até onde ele sabia, era auto-confiante e gostava das mesmas coisas que ele. Deu risada, sozinha, deitada no chão da sala. Ele com certeza descobriria que estava enganado e em exatas duas semanas começaria a se arrepender de trocar uma pessoa que aceitava tudo por uma piranha que não lava o cabelo. Por ela, ele teria que fazer muito mais escolhas do que imaginou. E fazer escolhas nunca foi seu forte.

Decidiu que amar era difícil. Não era só aquele sentimento louco que faz com que  você faça muitas besteiras num espaço curto de tempo. Decisões precisam ser feitas. E você muda de uma forma que nunca poderá voltar atrás.

 

(Escrito em 10 de outubro de 2011)

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