proa e vela

cada suspiro é uma remada

Mês: junho, 2011

Ad Eternum.

Essa tristeza que não passa nunca
é a tuberculose dos inconformados.

É algo como o beijo de adeus que nunca tive
nas despedidas que só existem em minha mente,
é como ver o amor platônico virando a esquina com teu pior inimigo, 
é como uma úlcera já sem tratamento
que cisma em sangrar  constantemente.
Essas minhas lágrimas são como uma fonte
saciando a sede do meu monstro interior.

É a roda na qual corre o rato, 
a última dose do boêmio que insiste
nos rabos de saias inalcançáveis
que desaparecem pela madrugada.
É a fome das onze, o ciúme do descontrolado,
um abraço frouxo de quem se ama, 
e o rancor de quem já não diz nada.
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Perdão.

me perdoe
por nunca ter te contado sobre a parte obscura de mim
esse pequeno canto em breu onde me escondo enfim
e passo noites inteiras refugiada nas dores
de amores,
da falta de cores.

me perdoe
por nunca conseguir ser absolutamente nada
pelos gritos, pelo choro, por ser sempre toda errada
por ter sido feita dos retalhos de chita e algodão,
da costela de Adão,
do coração na mão.