herói.

por daniellecruz

era um sonho recorrente, sombrio, cheio de tons de cinzas e breus.
eu vivi em meio a um caos umido de quem já se cansou de tanto adeus.
a tempestade em forma de funil que levou tantos dos meus.
e eu tinha o pavor no peito de quem ja nao tinha nada.

então um pégaso branco surgiu em um feixe de luz,
me colocou em suas costas e ignorou meu medo de altura.
afanou meus cabelos em sua crina, me levou pra sua rua,
onde o mar brilha morno e a brisa é segura.

quando acordei lá estava ele, com o nariz em meus cabelos,
segurando meu quadril como se fosse o último dia de sua vida.
me encheu de beijos de bom dia – uma mágica antiga
pra afastar os maus espíritos que me assolam as manhãs.

me mostrou as fotos dos dias, sua extensa geografia,
os sotaques, os acordes, amores nunca imaginados
e mostrou nosso reflexo no espelho que trazia
algo de muito familiar naquele olhar amendoado.

‘é você’, ele disse, enquanto beijava meu pescoço e ria
e quando menos percebi nossas mãos se entrelaçavam
‘são teus olhos, que sem meus olhos, já não conseguem ver
é a maldição idílica pra qualquer apaixonado’

é o último, o primeiro, aquele que ficará
é o pégaso certeiro de mitos que ainda não contei.
meu amado, meu amante, o melhor amigo que pude ter
e me salvou de tempestades impossíveis de se conter.

e nem quando ele diz que não é herói que quer ser,

é amor, meu amor. é amor sim que eu sei,

 

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