ausência II

por daniellecruz

“e eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos, que são doces,
porque nada poderei te dar senão a mágoa de me veres
eternamente exausto.”
– Vinicius de Moraes

tenho caminhado por corredores escuros
tateando paredes frias e rostos sem nome.
procurando uma razão pra este precipício
que se instaurou em minha alma como um castigo divino.

não tenho amor, não tenho fome, nada me sacia
não sinto nada a não ser ódio por meu reflexo no espelho
essa garota cansada é apenas mais uma imagem vazia.

faz frio e eu que um dia mantive tuas mãos em meus braços
me arrepiando a nuca e me mantendo aquecida
me enrosco em meu próprio corpo pra recordar nossos laços
sussurro tuas melodias de quando ainda não estava perdida.

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