proa e vela

cada suspiro é uma remada

Mês: junho, 2010

só.

tenho uma caixa de sorrisos
pra dividir com alguém que nunca chega
com um amor secreto, inexistente
no reflexo de uma vitrine,
talvez tenha passado por mim no metrô,
talvez me ame em segredo.

me sinto só.
tenho uma vida em branco,
um caderno novo,
tenho milhões de perguntas sem resposta,
tenho horas de silêncio compartilhado.

cansei de perder o que nunca tive,
dos domingos enrolada no cobertor,
procurando pernas pra enroscar nas minhas.

me falta um dono pra esse corpo cansado,
mãos que decorem o relevo dos meus poros,
ficar sem ar.

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marinheiro.

marinheiro,
um amor em cada porto.
mas é sempre no meu corpo
que ele monta o seu cais.

quero um amor
que faça do meu ventre terra fria
pra plantar suas raízes
e não me deixar jamais.

quero ser única,
a iemanjá de suas remadas
que a cada madrugada
esteja em suas orações.