diálogo qualquer.

por daniellecruz

ela o olhou nos olhos e disse:
– você deveria fazer teatro. quem sabe não se encontra?
ele suspirou, deu um beijo em sua testa.
– mas é que não estou me procurando. gosto de ser assim, perdido.
– e não fica tonto?
– tonto com o que?
– com as coisas da vida nesse labirinto todo.
– não fico. viver é assim. uma tontura que só.
– ainda não sei como você consegue. é preciso um chão firme.
– é preciso uma rede numa tarde de outono.
– é preciso saber se localizar num mapa.
– é preciso saber se perder sem saber pra onde.
silêncio.
– somos diferentes, não somos?
– e ainda assim, somos a mesma pessoa.
ela deu um gole na cerveja já quente.
– nunca tomo o último gole – pensou alto.
ele riu. pegou a cerveja de sua mão e tomou.
– nos completemos, então.

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