proa e vela

cada suspiro é uma remada

Mês: dezembro, 2009

febril.

nessas noites que nem o valium me cansa o corpo
só há o desejo latente das tuas mãos me arrancando tudo
me censurando as rimas e os sorrisos
as palavras sujas nos meus ouvidos
pulsantes.

eu quero perder todos os meus minutos decifrando as cores dos teus olhos
a maciez inebriante dos teus lábios
não quero entender teus sonhos e teus nomes na madrugada
só quero que sejas o arrepio na minha coluna nua
em minhas costas, avenidas, caminhos a percorrer
lentamente.

branca.

me rendi. e foda-se.
cansei de viver a vida cheia de armas.
toma aqui meu escudo,
dê teus tapas na minha cara
e assista com um sorriso moleque no rosto
enquanto eu sangro esse amor vadio,
que a vida não foi feita pra se passar construindo muros,
que teus tijolos já são muito fracos pra todos nossos absurdos,
que meus beijos têm gosto da chuva no fim do dia quente
transparecendo teu corpo por trás da tua única camisa branca.

chega, não há mais nada.
não há guerras violentas ou fogos de artifício,
não há bombas, nem orgasmos, nem melodia em meus ouvidos,
há somente a minha voz na tua enquanto eu ria,
e meu rosto que doía dos sorrisos sem sentido.

me rendi. e foda-se.
o mundo sabe que sou tua.
do nosso jeito incompreensível e sem profundidade,
das mãos dadas, ou não, da tua àrdua sinceridade,
dos meus desabafos mornos, hipnotizados pela estática,
dos nossos gritos,
e dos sussuros,
e de não ter que dizer nada.

uma carta para raquel.

minha amiga,

quero te enrolar num cobertor quente, sentir o gosto de tuas lágrimas na tua pele dourada.
quero te dizer que nessa vida nada nunca será pra sempre, nem nós.
quero dizer que te amo mais do que o universo, mais do que as estrelas, mais do que filhotes e mais do que às mulheres.
quero lutar com mil espadas contra todas tuas tristezas, e te ensinar que a doçura da vida está em todas aquelas coisas pequenas que ninguém sabe ver.
quero estar lá no seu altar, quero te ver crescer. vou ouvir tuas lágrimas, distante, e apertar as mãos contra o peito num abraço invisível de quem não pode se tocar.
quero compartilhar cada segundo, te ensinar todas essas cores. te colocar no meu berço, te ensinar uma prece, e esperar você dormir.

amiga,
nada nos vence nessa vida,
nós que somos sempre além, muito mais do que se pode imaginar.
nada nos vence.