por onde você anda?

por daniellecruz

quando eu saio pela rua os meus passos não tem ritmo na calçada desigual. tento me concentrar em não cair no chão mas a cabeça está em outro lugar.

só sei que saí pra te procurar no vento gelado, nos rostos no metrô, lutando com o sentimento contraditório – estava morrendo de medo de te achar, de te ver por aí. só o pensamento fazia minha boca ficar seca, meu coração acelerava, eu ficava tonta. parava por meio segundo e repetia “ele não está lá. ele nunca está lá” e a dor pungente me trazia de volta à uma realidade quase que maldita. você não estava lá. então me refugiei no único lugar que eu tive certeza que você não estaria.

mas te procurei nos títulos, nas páginas, entre as prateleiras. nos cheiros das páginas novas, recém impressas, nas palavras sem sentido lidas rapidamente. nos assuntos que você poderia gostar. me perguntei que livro eu te daria quando chegassem as festas de fim de ano, sem querer pensar se até lá você ainda vai se lembrar ao menos do meu nome. escolhi poemas a dedo, humores e ironias, até reconheci teus traços em frases aleatórias – existe ordem no caos, não tenho culpa que a vida seja como é, e por onde, por onde você anda? – vi capas da cor dos teus olhos, e no fim eu sabia qual seria teu livro perfeito. aquele que você vai ler e pensar em mim todas as vezes que o sono tomar conta, ou a pressa cotidiana te levar. você vai pensar aonde eu te achei ali. você vai pensar em mim. e no verso da capa, numa dedicatória cheia de duplos e triplos sentidos, eu estarei lá.

eu sempre estarei lá.

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