proa e vela

cada suspiro é uma remada

Mês: agosto, 2009

eu sou feita de pequenos pedaços de saudades. de fotografias, memórias, dos refrões que me lembram amores do passado. do desejo de uma melodia que me lembre um amor futuro, eterno, intenso.
sou feita de arco-íris, facetas de um diamante ao sol. de desejos, pedidos. de sonhos perdidos. de tudo que poderia ter sido e não foi. das esperanças, do amor inabalável, incondicional. dos beijos não dados, das corridas na chuva, do banho quente, do cobertor.
eu sou feita daqueles dez segundos que nós passamos esfregando os pés antes de dormir.
sou feita de sexo despudorado, do suspiro, do gemido. da química. dos pequenos crimes cometidos sem pensar.
sou feita dos altos e baixos, dos picos de humor, das manias, dos gritos, das lágrimas, dos sorrisos, gargalhadas. sou feita da escuridão e dos raios de sol. da tempestade… e da calmaria.
sou feita de mim, e de você. dos teus olhos, do meu tato. dos teus lábios e do meu mel. do teu gosto amargo. das despedidas.

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catarse.

me percebi com a mão no teu peito, admirando teus lábios enquanto você dormia. eu não queria dormir. eu queria eternizar aquele segundo, gravá-lo com a câmera da minha memória. os nossos cheiros, os sons do teu corpo, a textura dos teus poros. eu queria decorar cada milésimo de segundo.
eu só conseguia pensar “se apaixone, por favor”. como um mantra se repetindo na minha mente, desejei ser o encaixe perfeito do teu quebra-cabeça. desejei ser a razão de cada vez que você abrisse os olhos em um novo dia. tua musa, tua mulher, completamente em tuas mãos.

gotas de amor. tua rainha por algumas horas, e saber que tudo termina ali todas as vezes que vou embora. teus olhos, tuas mãos nas minhas. teu medo latente de me machucar em todo e qualquer sentido… e esse teu pavor é quase sólido. posso vê-lo, farejá-lo, quase posso tocá-lo.
teus beijos outrora doces têm um sabor amargo, vil.
o gosto de quem não vai ficar pro final.

dormências

sua lembrança é um vácuo
buraco negro no meu peito
tenho a memória da textura
dos teus cabelos em meus dedos
ler tuas palavras, decifrar tua caligrafia,
os lençóis vermelhos.

o sorriso felino, o amor desigual,
a ironia da saudade latente.
teus verdes sempre tristes
sem motivo aparente.
o reflexo de todas as cores do céu
no brilho molhado do teu olhar
que sempre estava à procura
do que nunca estaria lá.

veio leve como brisa,
tomou conta dos meus poros
um a um.
neguei teus aromas,
mas me segurou pelos cabelos
e me dominou.

foi embora como a chuva
num verão morno.
na promessa da volta,
na certeza da seca,
na navalha da carne,
na iminência da fome.

me largou na terra àspera,
nua e faminta,
sedenta como quem busca um açude
na miragem desértica.

pinéis.

meu ódio é flor única de alabastro
nasce botão, floresce e morre
pra renascer botão
em outra cores.

e no meu mundo de nuvens cor de rosa e cavalos alados
só os loucos são felizes…

quando os verdadeiros loucos são aqueles que internam!
não crucifiquem os internados.
só os loucos são felizes.