quiuí.

por daniellecruz

ela era pequena, do tamanho do meu abraço. sua pele contrastava com a minha formando a dupla mais bonita de cores que eu já havia visto. eu não me lembro nunca como as coisas aconteciam, mas eram sempre muito cautelosamente. era um segredo escondido no coração, um formigamento que se transformava em milhões de fogos de artifício no momento em que nossos lábios se encontravam. nada importava – os bares baratos, os amigos, os olhares. não existia mais nada ao nosso redor quando ela sorria, e ela sempre estava sorrindo. eu tatuei aquele sorriso tímido na minha mente, a pele azeitonada, o cheiro doce.
tudo nela era doce. o modo como se movia, como me olhava sempre baixando lentamente o queixo.

quis entender seu mundo, seus medos. fechava os olhos pra tentar ver as coisas como ela via. eu lembro de estar com os pés em sua cadeira quando prometi o dia em que seria minha. coloquei uma data e disse “acostume-se com isso”.

mas eu tive que escolher e por medo, por pavor, por pura incompetência, eu escolhi o caminho mais fácil. e no fim dessa estrada iluminada e sem buracos… ela já não estava lá. eu me vi sentada num campo gramado com um sol que parecia nunca nascer por completo, onde fazia frio e eu estava sozinha com meus próprios pensamentos. onde eu sabia que não seria o suficiente, que nunca seria completa. onde o medo era maior, mas o amor era tão grande que eu escolhi ficar ali para vê-la feliz florescendo em outros jardins.
com outras meninas bordadas de flor.

sua ausência é um buraco em meu peito e qualquer manifestação da sua existência ainda me deixa sem ar. eu não sei o que fazer na sua presença e é como se todos soubessem dos nossos fogos de artifício.

quiuí, você é toda quiuí, macia e doce, rara e brilhante.
seja pra sempre fruta,
seja pra sempre doce,
seja pra sempre minha, em algum lugar, em algum jardim qualquer.

todas as minhas flores são pra você.
e elas são eternas.

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