rosa.

por daniellecruz

nas palmas daquelas mãos, fui flor.
botão de rosa ainda sem cor
que desabrochou no orvalho
e na brisa gelada que ficou
quando a solidão finalmente tomou seu lugar.

então brilhei vermelha, viva
cor de sangue por dias de sol a fio
sorridente
e cheia de espinhos.

beleza imaculada, a rosa no alto
que ninguém se atrevia a tocar
pois sangrava da minha própria cor
qualquer palma que se aproximasse.

e veio o inverno.
os dias de geleira amorteceram minhas pétalas,
murcharam meus espinhos.

e sem o brilho de um sol qualquer,
sem uma cúpula, uma estufa, um lugar quente
sem um porto seguro
fui perdendo a cor, a vida, a alegria de simplesmente ser.

eu era púrpura e fria,
gélida e oca.
havia me esquecido o que era amar.
e sem a lembrança da primavera já distante,
me perdi.

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