proa e vela

cada suspiro é uma remada

Mês: novembro, 2008

galego

você me faz querer demais sair de órbita
não sei quem sou, pra onde vou,
não há mais sentido
e as palavras vêm sempre fáceis pra você
me confundindo

eu poderia amar teu corpo pra sempre
e repousar morta em teus braços
quando finalmente tomasse teus poros
quando te devorasse por dentro

você se vai, vem e se faz coisa ou outra
e esse ardor, todo torpor
poderia ter sido
e teria sido mais fácil não te conhecer
me distraindo

eu poderia querer teus olhos pra sempre
e me perder solta nos teus reflexos
quando finalmente você fechar os olhos
quando te conhecesse inteiro

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não éramos nada
nunca seremos
dentro de tudo que nos perdemos

não havia vida
nem arrepios
apenas a esperança de um amor tardio

sempre preferi o que era errado
o proibido
o que não era pra ser

não sei seu gosto nem seu cheiro
mas te vejo na palma das minhas mãos
talvez seja o destino
um reflexo
um modo de se defender

não quero jogar teus jogos
não me fale de um amor que não conhece
não me use de cobaia
não me entorpeça com tuas palavras

apenas venha
e tome conta do meu corpo, meus poros
te dei a chave para invadir minha alma
faça algo agora
ou não faça nada.

quase um fim.

atravessei a marginal de olhos fechados
ouvindo a buzina dos carros
as motos zunindo ao meu lado

pisei na calçada quase que frustrada
e me voltei para os carros que corriam com raiva
gritei nomes sujos caída na lama

deus, porque me manter aqui?
já não há semente que eu possa plantar
nem frutos que eu possa colher
não há nada mais que eu possa fazer

e sigo atravessando avenidas movimentadas
com olhos fechados, o peito aberto
sem medo, sem dor,
sem flor, sem nada.