proa e vela

cada suspiro é uma remada

Mês: outubro, 2008

não é que eu gostasse daquele homem desconhecido
ou amasse, ou desejasse seu corpo contra o meu
era apenas uma admiração contida e ingênua

não era seu sorriso malicioso ou a risada gostosa
eram seus dedos correndo suavemente
as cordas de um violão qualquer
as palavras macias escritas às pressas.
seus interesses, seus pensamentos
avaga esperança numa humanidade perdida
a fantasia de nara correndo sua mente
seus olhos escuros,
não admirava seu sexo.
eu, pequena, platonicamente admirava seu ser.

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o amor é uma faca no peito:
ou sangra até nossa morte
ou não sara, não cicatriza
eterniza a dor.

olhei nos teus olhos e vi meu reflexo
indo embora mais uma vez.
tentei ser forte, me manter em pé
mas por dentro me sentia uma janela quebrada
estilhaçada
milhões de pedaços espalhados no chão.

cometendo o mesmo erro
de ir embora
por amar demais.

eu não posso amar de um jeito diferente do que aprendi
porque as estradas por onde andei descalça me trouxeram ate aqui
com os pés calejados e as mãos trazendo um coração
que sangra.

eu não posso ser outra por mais um amor perdido
de sorrisos breves e lágrimas escondidas
de cabeça baixa e olhos para o chão.