proa e vela

cada suspiro é uma remada

Mês: novembro, 2007

anônima

ela era toda uma marra
sensualidade tímida
malícia ligeira

era toda mulher
e meio moleque
de todas as cores
com os pés no chão

eu não sei quem habita seus sonhos
nem seus desejos antes de dormir

eu não lembro a cor dos teus olhos
teus beijos molhados que eu deixei partir

ardido.

eu, você, todos aqueles comprimidos,
os gritos repartidos
silenciados pelos beijos,
derretendo esses meus lábios cansados.

teus olhos sem brilho,
tua vida em outros caminhos,
minhas unhas quebradas
e teus alicerces tão contidos
que tua construção levanta.

eu, pequenina, não acompanho mais teu ritmo
e por ter me apaixonado por esse teu sorriso
te deixo partir aos poucos, calada,
guardando cada gota de lágrima,
que é o que restou de mim.